{"id":498,"date":"2015-06-08T14:18:46","date_gmt":"2015-06-08T13:18:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/?p=498"},"modified":"2019-01-20T23:08:25","modified_gmt":"2019-01-20T23:08:25","slug":"displasia-de-anca-canina-tratada-por-acetabuloplastia-shelf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/displasia-de-anca-canina-tratada-por-acetabuloplastia-shelf\/","title":{"rendered":"Displasia de Anca Canina tratada por Acetabuloplastia &#8220;Shelf&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243; next_background_color=&#8221;#000000&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.19.4&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"color: #1e73be;\"><strong><span class=\"text-artigo-sub-headers\">Uma cadela da ra\u00e7a Pastor Belga apresentava dor severa causada por displasia de anca canina, tendo sido tratada cirurgicamente com aumento acetabular extra-capsular.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p>Em Medicina Humana, o aumento do suporte da cabe\u00e7a femoral por meio de um enxerto \u00f3sseo extra-capsular tem um longo historial como tratamento da displasia de anca.<\/p>\n<p>Foi inicialmente descrito por Konig em 1891, sendo o principal m\u00e9todo de reconstru\u00e7\u00e3o acetabular durante a primeira metade do s\u00e9culo XX <em>(1)<\/em>. V\u00e1rias t\u00e9cnicas cir\u00fargicas baseadas neste princ\u00edpio t\u00eam sido usadas. A principal diferen\u00e7a entre elas \u00e9 o m\u00e9todo pelo qual o enxerto \u00e9 estabilizado. Este grupo de t\u00e9cnicas cir\u00fargicas \u00e9 genericamente conhecido (na literatura anglo-sax\u00f3nica) pelo termo \u201cShelf Acetabuloplasty\u201d (Acetabuloplastia em plataforma ou prateleira), no sentido em que o enxerto \u00f3sseo funciona como uma extens\u00e3o do acet\u00e1bulo. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas o diagn\u00f3stico precoce da displasia de anca em humanos veio permitir a sua correc\u00e7\u00e3o por interm\u00e9dio de arneses (ex.: arn\u00eas de Pavlik) e por osteotomias de rota\u00e7\u00e3o acetabular (possibilitando a cobertura da cabe\u00e7a femoral por cartilagem hialina) reduzindo o n\u00famero de acetabuloplastias \u201cShelf\u201d. No entanto, estas t\u00e9cnicas mant\u00eam-se como op\u00e7\u00e3o eleg\u00edvel por muitos cirurgi\u00f5es, sendo principalmente usadas em casos de apresenta\u00e7\u00e3o tardia da doen\u00e7a (final da inf\u00e2ncia, na adolesc\u00eancia e em adultos jovens) <em>(1,2,3,4,5)<\/em>. Permanecem como uma das poucas alternativas em casos complexos de apresenta\u00e7\u00e3o tardia <em>(1)<\/em>, como t\u00e9cnicas de revis\u00e3o, nos casos de falha da osteotomia para rota\u00e7\u00e3o acetabular em conferir a cobertura desejada \u00e1 cabe\u00e7a femoral <em>(6)<\/em>, e como uma das melhores op\u00e7\u00f5es para a doen\u00e7a de Legg-Calv\u00e9-Perthes severa de apresenta\u00e7\u00e3o tardia <em>(7,8,9,10,11,12,13)<\/em>. Em anos recentes t\u00eam sido aplicadas usando m\u00e9todos minimamente invasivos <em>(14)<\/em>.<\/p>\n<p>Em 1958 Barclay Slocum e Theresa Devine Slocum publicaram a descri\u00e7\u00e3o e os resultados de uma t\u00e9cnica \u201cshelf\u201d para can\u00eddeos denominada \u201cDARthroplasty\u201d <em>(15)<\/em>. Este nome significa \u201cDorsal Acetabular Rim plasty\u201d, em portugu\u00eas, plastia do bordo (ou margem) acetabular dorsal. Mais de 300 ancas foram intervencionadas durante os 6 anos de experi\u00eancia destes autores com a t\u00e9cnica antes da sua publica\u00e7\u00e3o <em>(15)<\/em>. Segundo estes autores a t\u00e9cnica est\u00e1 indicada para ancas cuja deforma\u00e7\u00e3o displ\u00e1sica surge como demasiado avan\u00e7ada para uma correc\u00e7\u00e3o por osteotomia p\u00e9lvica tripla mas nas quais ainda n\u00e3o est\u00e3o indicados os procedimentos de \u00faltimo recurso (\u201csalvage\u201d) <em>(15)<\/em>.<\/p>\n<p>Desde esta publica\u00e7\u00e3o muito pouco se tem escrito sobre a plastia do bordo acetabular (\u201cDARthroplasty\u201d).<br \/>Os dados n\u00e3o foram recolhidos para se clarificar o seu lugar na cirurgia veterin\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #1e73be;\">ESTUDO de CASO:<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Uma cadela com 6 meses e meio de idade, da ra\u00e7a Pastor Belga, foi referida ao centro de cirurgia devido a graves dificuldades de locomo\u00e7\u00e3o por incapacidade nos membros posteriores. Ela pesava 15 Kg nesta altura. Na hist\u00f3ria pregressa constavam dificuldades em se deitar e levantar, gemidos frequentes quando mudava de posi\u00e7\u00e3o corporal, dificuldade em subir escadas e claudica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o visual revelou deforma\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o da garupa com protus\u00e3o lateral dos troc\u00e2nteres maiores femorais. O exame ortop\u00e9dico revelou dor severa na extens\u00e3o passiva das articula\u00e7\u00f5es coxo-femorais e na abdu\u00e7\u00e3o associada a rota\u00e7\u00e3o externa. O teste de compress\u00e3o trocant\u00e9rica era positivo bilateralmente, confirmando a permanente sub-luxa\u00e7\u00e3o das cabe\u00e7as femorais.<\/p>\n<p>O imagem radiogr\u00e1fica na figura 1 documenta a subluxa\u00e7\u00e3o bilateral compat\u00edvel com o diagn\u00f3stico de displasia de anca. Foi executada plastia bilateral do bordo acetabular para tratamento dos sintomas do can\u00eddeo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-29183 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig1.jpg 500w, https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig1-300x242.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><em>figura 1<\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #1e73be;\"><strong>T\u00e9cnica cir\u00fargica: <\/strong><\/span><br \/>O c\u00e3o foi pr\u00e9-medicado com Tramadol e Acepromazina. A anestesia geral foi induzida com Propofol e Diazepam e mantida com Isofluorano. Foi executada anestesia epidural com uma mistura de Lidoca\u00edna, Bupivacaina e Morfina.<\/p>\n<p>Foi executado acesso caudal \u00e1 articula\u00e7\u00e3o coxo-femoral. Os m\u00fasculos foram elevados da c\u00e1psula articular e do acet\u00e1bulo dorsal como descrito por Slocum e Slocum <em>(15)<\/em>. Uma cavilha de Steinman de 2,5 mm de di\u00e2metro foi impactada no osso il\u00edaco, dorsalmente ao limite craneal do bordo acetabular e dobrada no sentido craneal para retrair a musculatura gl\u00fatea e criar um espa\u00e7o est\u00e1vel para a t\u00e9cnica prosseguir. Foi criado um sulco atrav\u00e9s da remo\u00e7\u00e3o do cortex lateral do acet\u00e1bulo (at\u00e9 \u00e1 profundidade do osso esponjoso sangrante) com uma goiva de Lexer de 4 mm do seu limite caudal ao craneal, justamente dorsal \u00e0 inser\u00e7\u00e3o da c\u00e1psula articular. Uma 2\u00aa incis\u00e3o foi executada, como descrita por Slocum e Slocum <em>(15)<\/em>, para expor toda a asa do osso il\u00edaco e recolher, com uma goiva de Lexer curva de 10 mm, o maior n\u00famero poss\u00edvel de tiras de osso esponjoso e cortico-esponjoso, sem interferir com a fun\u00e7\u00e3o estrutural do osso Il\u00edaco. O comprimento das tiras foi estimado a partir das imagens radiogr\u00e1ficas e por medi\u00e7\u00e3o directa sobre a cabe\u00e7a femoral palp\u00e1vel durante a cirurgia. A 1\u00aa tira foi inserida sobre a c\u00e1psula, paralelamente ao sulco criado e sob o tend\u00e3o do m\u00fasculo gl\u00fateo profundo cranealmente e do tend\u00e3o do m\u00fasculo obturador interno caudalmente, constituindo a parte mais lateral da 1\u00aa camada do aumento acetabular. Tiras adicionais foram colocadas paralelamente e medialmente \u00e0 1\u00aa at\u00e9 que a \u00faltima tira cubria o sulco criado no acet\u00e1bulo, formando as tiras conjuntas uma 1\u00aa camada cont\u00ednua. Uma 2\u00aa camada de tiras foi colocada (e manualmente comprimida) sobre a 1\u00aa camada por forma a tornar o enxerto o mais espesso (dorsoventralmente) poss\u00edvel. N\u00e3o foram utilizadas suturas para estabilizar o enxerto. Este \u00e9 estabilizado pelos referidos tend\u00f5es e pelos m\u00fasculos da regi\u00e3o, ao se limitar a dissec\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o necess\u00e1rio para o enxerto.<\/p>\n<p>Foram obtidas imagens radiogr\u00e1ficas de incid\u00eancia ventro-dorsal imediatamente ap\u00f3s a cirurgia (fig.2) e 5 meses mais tarde (fig.3) na posi\u00e7\u00e3o de extens\u00e3o coxo-femoral m\u00e1xima e rota\u00e7\u00e3o interna dos membros. Neste \u00faltimo exame o c\u00e3o tinha 11 meses de idade e 24 Kg de peso. 1 ano ap\u00f3s a cirurgia foi executada tomografia axial computorizada na posi\u00e7\u00e3o de extens\u00e3o ligeira das articula\u00e7\u00f5es coxo-femorais (figs. 4,5 e 6) .<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-29182 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig2.jpg 500w, https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig2-300x239.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/>\u00a0<em>figura\u00a02<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-29181 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig3.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"442\" srcset=\"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig3.jpg 500w, https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig3-300x265.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><em>figura 3<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-29180 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig4.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig4.jpg 500w, https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig4-300x244.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><em>figura\u00a04<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-29179 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig5.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig5.jpg 500w, https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig5-300x244.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><em>figura\u00a05<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-29178 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig6.jpg\" alt=\"\" width=\"498\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig6.jpg 498w, https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig6-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig6-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 498px) 100vw, 498px\" \/><em>figura\u00a06<\/em><\/p>\n<p>5 meses ap\u00f3s a cirurgia o c\u00e3o encontrava-se totalmente funcional em todas as actividades, incluindo salto e galope. A amplitude dos movimentos de extens\u00e3o e flex\u00e3o coxo-femorais eram normais. A abdu\u00e7\u00e3o estava limitada pelo enxerto bilateralmente, sem causar perturba\u00e7\u00e3o detect\u00e1vel da locomo\u00e7\u00e3o. A massa muscular foi considerada normal. N\u00e3o se detectou manifesta\u00e7\u00e3o de dor na extens\u00e3o das articula\u00e7\u00f5es coxo-femorais. O resultado destas observa\u00e7\u00f5es permaneceu inalterado na avalia\u00e7\u00e3o efectuada 1 ano ap\u00f3s a cirurgia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-29177 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig7.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig7.jpg 500w, https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig7-300x248.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-29176 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig8.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"387\" srcset=\"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig8.jpg 500w, https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig8-300x232.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/> <em>Imagens obtidas 34 meses ap\u00f3s a cirurgia .<br \/>N\u00e3o h\u00e1 altera\u00e7\u00e3o funcional desde a anterior avalia\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"color: #1e73be;\"><strong>DISCUSS\u00c3O: <\/strong><\/span><br \/>O conhecimento actual em Medicina Veterin\u00e1ria n\u00e3o permite definir com precis\u00e3o as indica\u00e7\u00f5es, a efic\u00e1cia e o progn\u00f3stico p\u00f3s-cir\u00fargico da \u201cDARthroplasty\u201d de Slocum ou de outras acetabuloplastias \u201cshelf\u201d. No universo das publica\u00e7\u00f5es em Medicina Veterin\u00e1ria apenas a descri\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica e resultados por Slocum e Slocum est\u00e3o dispon\u00edveis actualmente. Estes autores reportaram que no seguimento da sua s\u00e9rie de casos, nenhum dos pacientes demonstrou sinais de dor que sugerissem a necessidade de pr\u00f3tese total de anca <em>(15)<\/em>.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #1e73be;\">As t\u00e9cnicas de acetabuloplastia \u201cshelf\u201d merecem ser investigadas com rigor como op\u00e7\u00e3o no tratamento cir\u00fargico da displasia de anca canina.<\/span><\/strong><br \/><strong><span style=\"color: #1e73be;\"> Um objectivo racional seria a recolha de dados objectivos da maior s\u00e9rie de casos poss\u00edvel recorrendo a uma t\u00e9cnica cir\u00fargica reprodut\u00edvel.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Saiba mais sobre a T\u00e9cnica Modificada da Plastia do Bordo Acetabular Dorsal de Slocum (DARthroplasty), <br \/>em <a href=\"http:\/\/www.darthroplasty.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.darthroplasty.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.darthroplasty.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-29688 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/darthroplasty_logo_s.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"36\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Staheli LT, Chew DE.\u00a0<strong>Slotted acetabular augmentation in childhood and adolescence<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> <span lang=\"zxx\">J Pediatr Orthop.\u00a0<\/span>1992 Sep-Oct;12(5):569-80.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Fawzy E,\u00a0Mandellos G, De Steiger R, et al.\u00a0<strong>Is there a place for shelf acetabuloplasty in the management of adult acetabular dysplasia?<\/strong>\u00a0<strong>A survivorship study<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> J Bone Joint Surg [Br]\u00a02005; 87-B:1197-202.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Summers BN, Turner A, Wynn-Jones CH.\u00a0<strong>The shelf operation in the management of late<\/strong><strong>presentation of congenital hip dysplasia<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> J Bone Joint Surg [Br]\u00a01988;70-B: 63-8.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Courtois B, LeSaout J, Lefevre C, et al.\u00a0<strong>The shelf operation for painful acetabular dysplasia in adults: a propos of continuous series of 230 cases<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> Int Orthop\u00a01987;11: 5-11 (in French).<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Hirose S, Otsuka H,\u00a0Morishima T, et al.\u00a0<strong>Long-term outcomes of shelf acetabuloplasty for developmental dysplasia of the hip in adults: a minimum 20-year follow-up study.<br \/><\/strong>J Orthop Sci (2011) 16:698\u2013703<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Su Y, Wang M, Chang W.\u00a0<strong>Slotted Acetabular Augmentation in the Treatment of Painful Residual Dysplastic Hips in Adolescents and Young Adults<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> J Formos Med Assoc | 2008 \u2022 Vol 107 \u2022 No 9: 720-727<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Kruse RW, Guille JT, Bowen Jr.\u00a0<strong>Shelf arthroplasty in patients who have had Legg-Calv\u00e9 Perthes disease: a study of long-term results.<\/strong><\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> J Bone Joint Surg [Am]\u00a01991;73-A:1338-47.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Wright D, Perry D, Daniel C, et al.\u00a0<strong>Shelf acetabuloplasty for Perthes disease in patients older than eight years of age: an observational cohort study<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> Journal of Pediatric Orthopaedics B 2013; vol22 issue 2: 96-100<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Domzalski M, Glutting J, Bowen R, et al.\u00a0<strong>Lateral Acetabular Growth Stimulation Following a Labral Support Procedure in Legg-Calv\u00e9-Perthes Disease<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> J Bone Joint Surg Am, 2006 Jul 01;88(7):1458-1466<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Daly K, Bruce C, Catterall A.\u00a0<strong>Lateral shelf acetabuloplasty in Perthes\u2019 disease &#8211;\u00a0A review at the end of growth<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> J Bone Joint Surg [Br]\u00a01999;81-B:380-4.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Osman M,\u00a0Martin D,\u00a0Sherlock D.\u00a0<strong>Outcome of late-onset Perthes\u2019 disease using four different treatment modalities.<\/strong><\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> J Child Orthop (2009) 3:235\u2013242<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Oh C, Rodriguez A, Guille JT, et al.<strong>\u00a0<\/strong><strong>Labral Support Shelf Arthroplasty for the Early Stages of Severe Legg-Calv\u00e9 Perthes Disease.<\/strong><\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> Am J Orthop.\u00a02010;39(1):26-29.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Van Der Geest I, Kooijman M, Spruit M, et al.\u00a0<strong>Shelf Acetabuloplasty for Perthe&#8217;s Disease: 12-Year Follow up.<\/strong><\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> Acta Orthop\u00e6dica Belgica, Vol. 67 &#8211; 2 \u2013 2001<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Chiron P, Laffosse JM, Bonnevialle N.\u00a0<strong>Shelf arthroplasty by minimal invasive surgery: technique and results of 76 cases<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> Hip International \/ Vol. 17 no. 2 (suppl 5), 2007 \/ pp. S72-S82<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Slocum B, Slocum T. D.\u00a0<strong>DARthroplasty<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> In: Bojrab, M. J., ed. Current Techniques in Small Animal Surgery, 4th Ed. Baltimore: Williams &amp; Wilkins 1998: 1168 &#8211; 1170<strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section][et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;3.0.47&#8243; prev_background_color=&#8221;#000000&#8243;][et_pb_row _builder_version=&#8221;3.0.48&#8243; background_size=&#8221;initial&#8221; background_position=&#8221;top_left&#8221; background_repeat=&#8221;repeat&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_button admin_label=&#8221;BOT\u00c3O VOLTAR ARTIGOS (n\u00e3o editar)&#8221; button_url=&#8221;http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/artigos\/&#8221; button_text=&#8221;MAIS ARTIGOS &#8221; button_alignment=&#8221;center&#8221; _builder_version=&#8221;3.19.4&#8243; custom_button=&#8221;on&#8221; button_text_size=&#8221;14px&#8221; button_bg_color=&#8221;#629fca&#8221; button_border_width=&#8221;0px&#8221; button_icon=&#8221;%%197%%&#8221; button_icon_placement=&#8221;left&#8221; button_on_hover=&#8221;off&#8221; background_layout=&#8221;dark&#8221; button_letter_spacing_hover=&#8221;0&#8243; button_bg_color_hover=&#8221;#14647c&#8221; button_text_size__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_one_text_size__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_two_text_size__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_text_color__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_one_text_color__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_two_text_color__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_border_width__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_one_border_width__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_two_border_width__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_border_color__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_one_border_color__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_two_border_color__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_border_radius__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_one_border_radius__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_two_border_radius__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_letter_spacing__hover_enabled=&#8221;on&#8221; button_letter_spacing__hover=&#8221;0&#8243; button_one_letter_spacing__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_two_letter_spacing__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_bg_color__hover_enabled=&#8221;on&#8221; button_bg_color__hover=&#8221;#14647c&#8221; button_one_bg_color__hover_enabled=&#8221;off&#8221; button_two_bg_color__hover_enabled=&#8221;off&#8221; \/][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma cadela da ra\u00e7a Pastor Belga apresentava dor severa causada por displasia de anca canina, tendo sido tratada cirurgicamente com aumento acetabular extra-capsular.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":29183,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"on","_et_pb_old_content":"<p><span style=\"color: #1e73be;\"><strong><span class=\"text-artigo-sub-headers\">Uma cadela da ra\u00e7a Pastor Belga apresentava dor severa causada por displasia de anca canina, tendo sido tratada cirurgicamente com aumento acetabular extra-capsular.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\r\n<p>Em Medicina Humana, o aumento do suporte da cabe\u00e7a femoral por meio de um enxerto \u00f3sseo extra-capsular tem um longo historial como tratamento da displasia de anca.<\/p>\r\n<p>Foi inicialmente descrito por Konig em 1891, sendo o principal m\u00e9todo de reconstru\u00e7\u00e3o acetabular durante a primeira metade do s\u00e9culo XX <em>(1)<\/em>. V\u00e1rias t\u00e9cnicas cir\u00fargicas baseadas neste princ\u00edpio t\u00eam sido usadas. A principal diferen\u00e7a entre elas \u00e9 o m\u00e9todo pelo qual o enxerto \u00e9 estabilizado. Este grupo de t\u00e9cnicas cir\u00fargicas \u00e9 genericamente conhecido (na literatura anglo-sax\u00f3nica) pelo termo \u201cShelf Acetabuloplasty\u201d (Acetabuloplastia em plataforma ou prateleira), no sentido em que o enxerto \u00f3sseo funciona como uma extens\u00e3o do acet\u00e1bulo. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas o diagn\u00f3stico precoce da displasia de anca em humanos veio permitir a sua correc\u00e7\u00e3o por interm\u00e9dio de arneses (ex.: arn\u00eas de Pavlik) e por osteotomias de rota\u00e7\u00e3o acetabular (possibilitando a cobertura da cabe\u00e7a femoral por cartilagem hialina) reduzindo o n\u00famero de acetabuloplastias \u201cShelf\u201d. No entanto, estas t\u00e9cnicas mant\u00eam-se como op\u00e7\u00e3o eleg\u00edvel por muitos cirurgi\u00f5es, sendo principalmente usadas em casos de apresenta\u00e7\u00e3o tardia da doen\u00e7a (final da inf\u00e2ncia, na adolesc\u00eancia e em adultos jovens) <em>(1,2,3,4,5)<\/em>. Permanecem como uma das poucas alternativas em casos complexos de apresenta\u00e7\u00e3o tardia <em>(1)<\/em>, como t\u00e9cnicas de revis\u00e3o, nos casos de falha da osteotomia para rota\u00e7\u00e3o acetabular em conferir a cobertura desejada \u00e1 cabe\u00e7a femoral <em>(6)<\/em>, e como uma das melhores op\u00e7\u00f5es para a doen\u00e7a de Legg-Calv\u00e9-Perthes severa de apresenta\u00e7\u00e3o tardia <em>(7,8,9,10,11,12,13)<\/em>. Em anos recentes t\u00eam sido aplicadas usando m\u00e9todos minimamente invasivos <em>(14)<\/em>.<\/p>\r\n<p>Em 1958 Barclay Slocum e Theresa Devine Slocum publicaram a descri\u00e7\u00e3o e os resultados de uma t\u00e9cnica \u201cshelf\u201d para can\u00eddeos denominada \u201cDARthroplasty\u201d <em>(15)<\/em>. Este nome significa \u201cDorsal Acetabular Rim plasty\u201d, em portugu\u00eas, plastia do bordo (ou margem) acetabular dorsal. Mais de 300 ancas foram intervencionadas durante os 6 anos de experi\u00eancia destes autores com a t\u00e9cnica antes da sua publica\u00e7\u00e3o <em>(15)<\/em>. Segundo estes autores a t\u00e9cnica est\u00e1 indicada para ancas cuja deforma\u00e7\u00e3o displ\u00e1sica surge como demasiado avan\u00e7ada para uma correc\u00e7\u00e3o por osteotomia p\u00e9lvica tripla mas nas quais ainda n\u00e3o est\u00e3o indicados os procedimentos de \u00faltimo recurso (\u201csalvage\u201d) <em>(15)<\/em>.<\/p>\r\n<p>Desde esta publica\u00e7\u00e3o muito pouco se tem escrito sobre a plastia do bordo acetabular (\u201cDARthroplasty\u201d).<br \/>Os dados n\u00e3o foram recolhidos para se clarificar o seu lugar na cirurgia veterin\u00e1ria.<\/p>\r\n<p>\u00a0<\/p>\r\n<hr \/>\r\n<p>\u00a0<\/p>\r\n<p><strong><span style=\"color: #1e73be;\">ESTUDO de CASO:<\/span><\/strong><\/p>\r\n<p>Uma cadela com 6 meses e meio de idade, da ra\u00e7a Pastor Belga, foi referida ao centro de cirurgia devido a graves dificuldades de locomo\u00e7\u00e3o por incapacidade nos membros posteriores. Ela pesava 15 Kg nesta altura. Na hist\u00f3ria pregressa constavam dificuldades em se deitar e levantar, gemidos frequentes quando mudava de posi\u00e7\u00e3o corporal, dificuldade em subir escadas e claudica\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<p>A observa\u00e7\u00e3o visual revelou deforma\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o da garupa com protus\u00e3o lateral dos troc\u00e2nteres maiores femorais. O exame ortop\u00e9dico revelou dor severa na extens\u00e3o passiva das articula\u00e7\u00f5es coxo-femorais e na abdu\u00e7\u00e3o associada a rota\u00e7\u00e3o externa. O teste de compress\u00e3o trocant\u00e9rica era positivo bilateralmente, confirmando a permanente sub-luxa\u00e7\u00e3o das cabe\u00e7as femorais.<\/p>\r\n<p>O imagem radiogr\u00e1fica na figura 1 documenta a subluxa\u00e7\u00e3o bilateral compat\u00edvel com o diagn\u00f3stico de displasia de anca. Foi executada plastia bilateral do bordo acetabular para tratamento dos sintomas do can\u00eddeo.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img class=\"aligncenter wp-image-29183 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"403\" \/><em>figura 1<\/em><\/p>\r\n<p><span style=\"color: #1e73be;\"><strong>T\u00e9cnica cir\u00fargica: <\/strong><\/span><br \/>O c\u00e3o foi pr\u00e9-medicado com Tramadol e Acepromazina. A anestesia geral foi induzida com Propofol e Diazepam e mantida com Isofluorano. Foi executada anestesia epidural com uma mistura de Lidoca\u00edna, Bupivacaina e Morfina.<\/p>\r\n<p>Foi executado acesso caudal \u00e1 articula\u00e7\u00e3o coxo-femoral. Os m\u00fasculos foram elevados da c\u00e1psula articular e do acet\u00e1bulo dorsal como descrito por Slocum e Slocum <em>(15)<\/em>. Uma cavilha de Steinman de 2,5 mm de di\u00e2metro foi impactada no osso il\u00edaco, dorsalmente ao limite craneal do bordo acetabular e dobrada no sentido craneal para retrair a musculatura gl\u00fatea e criar um espa\u00e7o est\u00e1vel para a t\u00e9cnica prosseguir. Foi criado um sulco atrav\u00e9s da remo\u00e7\u00e3o do cortex lateral do acet\u00e1bulo (at\u00e9 \u00e1 profundidade do osso esponjoso sangrante) com uma goiva de Lexer de 4 mm do seu limite caudal ao craneal, justamente dorsal \u00e0 inser\u00e7\u00e3o da c\u00e1psula articular. Uma 2\u00aa incis\u00e3o foi executada, como descrita por Slocum e Slocum <em>(15)<\/em>, para expor toda a asa do osso il\u00edaco e recolher, com uma goiva de Lexer curva de 10 mm, o maior n\u00famero poss\u00edvel de tiras de osso esponjoso e cortico-esponjoso, sem interferir com a fun\u00e7\u00e3o estrutural do osso Il\u00edaco. O comprimento das tiras foi estimado a partir das imagens radiogr\u00e1ficas e por medi\u00e7\u00e3o directa sobre a cabe\u00e7a femoral palp\u00e1vel durante a cirurgia. A 1\u00aa tira foi inserida sobre a c\u00e1psula, paralelamente ao sulco criado e sob o tend\u00e3o do m\u00fasculo gl\u00fateo profundo cranealmente e do tend\u00e3o do m\u00fasculo obturador interno caudalmente, constituindo a parte mais lateral da 1\u00aa camada do aumento acetabular. Tiras adicionais foram colocadas paralelamente e medialmente \u00e0 1\u00aa at\u00e9 que a \u00faltima tira cubria o sulco criado no acet\u00e1bulo, formando as tiras conjuntas uma 1\u00aa camada cont\u00ednua. Uma 2\u00aa camada de tiras foi colocada (e manualmente comprimida) sobre a 1\u00aa camada por forma a tornar o enxerto o mais espesso (dorsoventralmente) poss\u00edvel. N\u00e3o foram utilizadas suturas para estabilizar o enxerto. Este \u00e9 estabilizado pelos referidos tend\u00f5es e pelos m\u00fasculos da regi\u00e3o, ao se limitar a dissec\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o necess\u00e1rio para o enxerto.<\/p>\r\n<p>Foram obtidas imagens radiogr\u00e1ficas de incid\u00eancia ventro-dorsal imediatamente ap\u00f3s a cirurgia (fig.2) e 5 meses mais tarde (fig.3) na posi\u00e7\u00e3o de extens\u00e3o coxo-femoral m\u00e1xima e rota\u00e7\u00e3o interna dos membros. Neste \u00faltimo exame o c\u00e3o tinha 11 meses de idade e 24 Kg de peso. 1 ano ap\u00f3s a cirurgia foi executada tomografia axial computorizada na posi\u00e7\u00e3o de extens\u00e3o ligeira das articula\u00e7\u00f5es coxo-femorais (figs. 4,5 e 6) .<\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img class=\"aligncenter wp-image-29182 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"399\" \/>\u00a0<em>figura\u00a02<\/em><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img class=\"aligncenter wp-image-29181 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig3.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"442\" \/><em>figura 3<\/em><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img class=\"aligncenter wp-image-29180 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig4.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"406\" \/><em>figura\u00a04<\/em><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img class=\"aligncenter wp-image-29179 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig5.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"406\" \/><em>figura\u00a05<\/em><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img class=\"aligncenter wp-image-29178 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig6.jpg\" alt=\"\" width=\"498\" height=\"500\" \/><em>figura\u00a06<\/em><\/p>\r\n<p>5 meses ap\u00f3s a cirurgia o c\u00e3o encontrava-se totalmente funcional em todas as actividades, incluindo salto e galope. A amplitude dos movimentos de extens\u00e3o e flex\u00e3o coxo-femorais eram normais. A abdu\u00e7\u00e3o estava limitada pelo enxerto bilateralmente, sem causar perturba\u00e7\u00e3o detect\u00e1vel da locomo\u00e7\u00e3o. A massa muscular foi considerada normal. N\u00e3o se detectou manifesta\u00e7\u00e3o de dor na extens\u00e3o das articula\u00e7\u00f5es coxo-femorais. O resultado destas observa\u00e7\u00f5es permaneceu inalterado na avalia\u00e7\u00e3o efectuada 1 ano ap\u00f3s a cirurgia.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img class=\"aligncenter wp-image-29177 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig7.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"414\" \/><\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\"><img class=\"aligncenter wp-image-29176 size-full\" src=\"http:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/art_darthroplasty_fig8.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"387\" \/> <em>Imagens obtidas 34 meses ap\u00f3s a cirurgia .<br \/>N\u00e3o h\u00e1 altera\u00e7\u00e3o funcional desde a anterior avalia\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\r\n<p>\u00a0<\/p>\r\n<p><span style=\"color: #1e73be;\"><strong>DISCUSS\u00c3O: <\/strong><\/span><br \/>O conhecimento actual em Medicina Veterin\u00e1ria n\u00e3o permite definir com precis\u00e3o as indica\u00e7\u00f5es, a efic\u00e1cia e o progn\u00f3stico p\u00f3s-cir\u00fargico da \u201cDARthroplasty\u201d de Slocum ou de outras acetabuloplastias \u201cshelf\u201d. No universo das publica\u00e7\u00f5es em Medicina Veterin\u00e1ria apenas a descri\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica e resultados por Slocum e Slocum est\u00e3o dispon\u00edveis actualmente. Estes autores reportaram que no seguimento da sua s\u00e9rie de casos, nenhum dos pacientes demonstrou sinais de dor que sugerissem a necessidade de pr\u00f3tese total de anca <em>(15)<\/em>.<\/p>\r\n<p><strong><span style=\"color: #1e73be;\">As t\u00e9cnicas de acetabuloplastia \u201cshelf\u201d merecem ser investigadas com rigor como op\u00e7\u00e3o no tratamento cir\u00fargico da displasia de anca canina.<\/span><\/strong><br \/><strong><span style=\"color: #1e73be;\"> Um objectivo racional seria a recolha de dados objectivos da maior s\u00e9rie de casos poss\u00edvel recorrendo a uma t\u00e9cnica cir\u00fargica reprodut\u00edvel.<\/span><\/strong><\/p>\r\n<p>\u00a0<\/p>\r\n<hr \/>\r\n<p>\u00a0<\/p>\r\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\r\n<ol>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Staheli LT, Chew DE.\u00a0<strong>Slotted acetabular augmentation in childhood and adolescence<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> <span lang=\"zxx\">J Pediatr Orthop.\u00a0<\/span>1992 Sep-Oct;12(5):569-80.<\/span><\/li>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Fawzy E,\u00a0Mandellos G, De Steiger R, et al.\u00a0<strong>Is there a place for shelf acetabuloplasty in the management of adult acetabular dysplasia?<\/strong>\u00a0<strong>A survivorship study<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> J Bone Joint Surg [Br]\u00a02005; 87-B:1197-202.<\/span><\/li>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Summers BN, Turner A, Wynn-Jones CH.\u00a0<strong>The shelf operation in the management of late<\/strong><strong>presentation of congenital hip dysplasia<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> J Bone Joint Surg [Br]\u00a01988;70-B: 63-8.<\/span><\/li>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Courtois B, LeSaout J, Lefevre C, et al.\u00a0<strong>The shelf operation for painful acetabular dysplasia in adults: a propos of continuous series of 230 cases<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> Int Orthop\u00a01987;11: 5-11 (in French).<\/span><\/li>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Hirose S, Otsuka H,\u00a0Morishima T, et al.\u00a0<strong>Long-term outcomes of shelf acetabuloplasty for developmental dysplasia of the hip in adults: a minimum 20-year follow-up study.<br \/><\/strong>J Orthop Sci (2011) 16:698\u2013703<\/span><\/li>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Su Y, Wang M, Chang W.\u00a0<strong>Slotted Acetabular Augmentation in the Treatment of Painful Residual Dysplastic Hips in Adolescents and Young Adults<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> J Formos Med Assoc | 2008 \u2022 Vol 107 \u2022 No 9: 720-727<\/span><\/li>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Kruse RW, Guille JT, Bowen Jr.\u00a0<strong>Shelf arthroplasty in patients who have had Legg-Calv\u00e9 Perthes disease: a study of long-term results.<\/strong><\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> J Bone Joint Surg [Am]\u00a01991;73-A:1338-47.<\/span><\/li>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Wright D, Perry D, Daniel C, et al.\u00a0<strong>Shelf acetabuloplasty for Perthes disease in patients older than eight years of age: an observational cohort study<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> Journal of Pediatric Orthopaedics B 2013; vol22 issue 2: 96-100<\/span><\/li>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Domzalski M, Glutting J, Bowen R, et al.\u00a0<strong>Lateral Acetabular Growth Stimulation Following a Labral Support Procedure in Legg-Calv\u00e9-Perthes Disease<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> J Bone Joint Surg Am, 2006 Jul 01;88(7):1458-1466<\/span><\/li>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Daly K, Bruce C, Catterall A.\u00a0<strong>Lateral shelf acetabuloplasty in Perthes\u2019 disease -\u00a0A review at the end of growth<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> J Bone Joint Surg [Br]\u00a01999;81-B:380-4.<\/span><\/li>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Osman M,\u00a0Martin D,\u00a0Sherlock D.\u00a0<strong>Outcome of late-onset Perthes\u2019 disease using four different treatment modalities.<\/strong><\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> J Child Orthop (2009) 3:235\u2013242<\/span><\/li>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Oh C, Rodriguez A, Guille JT, et al.<strong>\u00a0<\/strong><strong>Labral Support Shelf Arthroplasty for the Early Stages of Severe Legg-Calv\u00e9 Perthes Disease.<\/strong><\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> Am J Orthop.\u00a02010;39(1):26-29.<\/span><\/li>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Van Der Geest I, Kooijman M, Spruit M, et al.\u00a0<strong>Shelf Acetabuloplasty for Perthe's Disease: 12-Year Follow up.<\/strong><\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> Acta Orthop\u00e6dica Belgica, Vol. 67 - 2 \u2013 2001<\/span><\/li>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Chiron P, Laffosse JM, Bonnevialle N.\u00a0<strong>Shelf arthroplasty by minimal invasive surgery: technique and results of 76 cases<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> Hip International \/ Vol. 17 no. 2 (suppl 5), 2007 \/ pp. S72-S82<\/span><\/li>\r\n<li style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">Slocum B, Slocum T. D.\u00a0<strong>DARthroplasty<\/strong>.<\/span><br \/><span style=\"font-size: 8pt;\"> In: Bojrab, M. J., ed. Current Techniques in Small Animal Surgery, 4th Ed. Baltimore: Williams & Wilkins 1998: 1168 - 1170<strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/li>\r\n<\/ol>","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[12],"tags":[96,29,95,97,94,38,27,28,32,93,51,30,39,33,35,37,98,34,31,36],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/498"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=498"}],"version-history":[{"count":29,"href":"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/498\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29693,"href":"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/498\/revisions\/29693"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29183"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cirurgiavet.com\/web\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}