Displasia da Anca

Displasia

Neste artigo além de informação geral vamos ensinar-lhe um teste que pode dar alguma ajuda.

Podemos traduzir rapidamente “displasia da anca” por: dor na articulação de uma anca que tem um mau funcionamento.

Porque é que ela funciona mal?
– Porque a sua geometria se tornou anómala em alguma fase do crescimento do cachorro.
Já viu um cachorro que ao brincar evita permanecer muito tempo em corrida ? Que se senta constantemente no decurso das brincadeiras? Que tem um galope diferente dos outros cães, em que os dois pés saem do chão ao mesmo tempo e contactam com o solo em simultâneo (tipo saltos de coelho)? VER VIDEO NO YOUTUBE
Estes animais são suspeitos de displasia da anca.

Como posso aumentar a minha suspeita?
Vamos ensinar-lhe um teste que se tem mostrado muito útil no rastreio desta doença e que consiste em efectuar uma extensão passiva lenta e progressiva da articulação:

1 - Posicione-se por detrás do cão , ponha uma mão sobre a garupa e com a outra mão segure um pouco acima do joelho do lado da anca que vai testar.

2 - Lenta e progressivamente puxe o joelho para trás e para cima observando atentamente as reacções do animal. No grau máximo de extensão o joelho está um pouco abaixo da linha da garupa. Pare a manipulação assim que o animal der sinais de desconforto, se for esse o caso.

3 - As reacções possíveis são:
- Sinais de desconforto óbvio (ganir, olhar para trás e esquivar-se a esta posição, tentar morder – cuidado!! se não tem confiança com o cão que está a manipular não execute este teste);
- Sinais de desconforto ligeiro (os mesmo sinais mas menos evidentes, alguns cães simplesmente deitam-se como forma de dizer que não gostam da manipulação);
VER TESTE POSITIVO NO YOUTUBE
- Ausência de reacção – apesar de que alguns cães vão achar estranho esta “brincadeira” porque não estão habituados a ela , se a repetirmos algumas vezes dando-lhe sinais de que estamos só a brincar com ele , ele mostrará claramente que não sente dor nem desconforto.
VER TESTE NEGATIVO NO YOUTUBE 

Razões para o teste não funcionar:
- Alguns cães não gostam desta abordagem porque ser aproximado e agarrado pelos quartos traseiros é uma posição de dominância na linguagem deles, e muitos não estão dispostos a serem dominados. Nestes animais as reacções de esquiva ou de aviso, como o rosnar, pode não ser prova de desconforto ao teste.
- Alguns cães simplesmente não gostam de ser tocados e reagirão mal a qualquer outro tipo de manipulação que não seja a clássica festa na cabeça. Mas o dono conhecerá o seu cão melhor que ninguém e sabe que é disto que se trata.
- Alguns animais podem ter dores na coluna lombar e queixam-se neste teste. Isto é muito raro em cães jovens de raças grandes e é mais provável em animais mais idosos.


Tratamentos para a displasia da anca


Nem todos os cães com displasia são candidatos a cirurgia para corrigir este problema. Porquê?
- Porque alguns animais têm sintomas muito ligeiros que nem nos apercebemos da existência da doença. Muitas vezes só a reconhecemos na “3ª idade” do cão. É possível um cão ter uma displasia ligeira e tendencialmente silenciosa. Se na nossa avaliação assumirmos que a qualidade de vida destes animais não se vê muito afectada pela doença , podemos tomar uma atitude de vigilância, sempre tendo em mente que um agravar da doença poderá justificar outras opções de tratamento, nomeadamente as cirúrgicas. Esta decisão é sempre muito mais complicada se se tratar de um cachorro, porque, como está numa fase de “plasticidade” da anca, uma intervenção cirúrgica agora poderia evitar o escalar da doença na vida adulta.
Outros animais já têm uma doença articular degenerativa (artrose) instalada e isso pode impossibilitá-los de beneficiar de algumas técnicas cirúrgicas que já não estão adaptadas ao seu caso, e ainda que hajam outras técnicas para o seu caso como a prótese de anca, a análise custo/benefício pode excluí-los destas soluções.

Quais são as medidas que beneficiam todos os cães com displasia (operados ou não operados)?
O controlo do peso. Manter o peso ideal equivale a não sobrecarregar as articulações. Isto ajuda os cães com displasia a compensar a sua doença, ou pelo menos a não agravá-la, se isso for possível, e ajuda a prevenir que outros cães desenvolvam a doença.
O exercício em pisos adequados. Consideram-se adequados todos os pisos em que o animal não escorregue com facilidade, que não cause o desgaste excessivo das unhas e os pisos que amorteçam os impactos do apoio em corrida e em salto, poupando as articulações às grandes forças que se geram nalguns destes impactos. (o asfalto não será adequado para exercícios muito prolongados).

Os medicamentos podem ajudar ?
Os anti-inflamatórios têm utilidade para diminuir o grau de dor e inflamação nas crises agudas, mas não para controlar estes sintomas a longo prazo.

O que pode a cirurgia fazer nos casos de displasia da anca?
A cirurgia pode ajudar o cão com displasia a recuperar a sua qualidade de vida. Estas técnicas alteram de forma diversa a geometria da anca e podem colocar o animal numa posição de compensação, por forma a este deixar de ter crises e deixar de tomar analgésicos e anti-inflamatórios.

> ver artigo sobre tratamento

Com que idade é possível iniciar o rastreio e chegar ao diagnóstico?
Muitos dos estudos mais recentes sobre a doença têm sido dirigidos para o diagnóstico precoce.
Alguns destes estudos apontam os 4 meses como a idade em que os resultados dos exames dão informações com elevada fiabilidade. Na nossa experiência é possível detectar ao exame clínico sinais de desconforto mesmo antes desta idade, o que nos irá assinalar a necessidade de manter estes cachorros sob uma apertada vigilância médica.

Peça uma avaliação o mais cedo possível, não adie esta questão !





 

 

 

< voltar